Dor crônica: o que é, como identificar e quais são as dores mais comuns

A dor é um sinal de alerta do corpo. Em geral, ela surge para indicar que algo não está funcionando como deveria e, por isso, costuma desaparecer após o tratamento adequado. No entanto, quando essa dor persiste por semanas ou meses, a situação muda.

Nesses casos, a dor deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser considerada uma condição em si: a dor crônica. Esse tipo de dor afeta milhões de pessoas e pode comprometer não apenas o corpo, mas também o bem-estar emocional, a autonomia e a qualidade de vida.

Ao longo deste artigo, você vai entender o que caracteriza a dor crônica, como identificá-la e quais são as dores crônicas mais comuns.

O que é dor crônica?

A dor crônica é aquela que persiste por mais de três meses, mesmo após o tratamento inicial da causa ou sem uma explicação clara. Diferentemente da dor aguda, ela não tem mais função de alerta ou proteção do organismo.

Em outras palavras, o corpo continua “enviando sinais de dor”, mesmo quando a lesão inicial já deveria ter cicatrizado. Com o tempo, isso pode gerar limitações físicas, alterações emocionais e impacto direto na rotina diária.

Qual a diferença entre dor aguda e dor crônica?

Antes de tudo, é importante diferenciar esses dois tipos de dor.

Dor aguda

A dor aguda surge de forma repentina e, geralmente, está associada a:

  • traumas
  • pancadas
  • quedas
  • inflamações recentes

Normalmente, esse tipo de dor desaparece em poucas semanas, desde que o tratamento seja adequado.

Dor crônica

Já a dor crônica se mantém ativa por meses ou até anos. Na maioria das vezes, ela está relacionada a:

  • agravamento de doenças
  • lesões mal tratadas
  • doenças degenerativas
  • alterações persistentes no sistema nervoso

Além disso, a dor crônica pode se intensificar ao longo do tempo, tornando-se cada vez mais limitante.

Como identificar a dor crônica?

A persistência da dor é o principal sinal. Porém, ela raramente aparece sozinha.

Com o passar do tempo, a dor crônica pode estar associada a sintomas como:

  • cansaço excessivo
  • indisposição
  • ansiedade ou irritabilidade
  • dificuldade para dormir
  • inchaço ou vermelhidão no local afetado
  • redução da mobilidade

Esses sinais indicam que o corpo está sobrecarregado e precisa de atenção especializada.

Quando procurar um médico?

Embora sentir dor ocasionalmente seja comum, alguns sinais indicam que é hora de buscar ajuda médica.

De modo geral, a orientação é procurar um especialista quando:

  • a dor persiste por mais de três meses
  • movimentos simples do dia a dia se tornam difíceis
  • a dor interfere no trabalho ou na vida social
  • surgem sintomas associados, como inchaço ou mal-estar
  • o desconforto afeta o sono e o humor

Além disso, não é necessário esperar que a dor se torne intensa ou incapacitante. Quanto mais cedo a avaliação médica acontece, maiores são as chances de um tratamento eficaz.

Dores crônicas mais comuns

A dor crônica pode atingir diferentes regiões do corpo. Entretanto, algumas áreas são mais frequentemente afetadas.

Dor crônica na coluna

As dores na coluna estão entre as queixas mais comuns e podem atingir diferentes regiões.

Lombalgia

A lombalgia é a dor localizada na parte inferior da coluna, próxima ao quadril. Geralmente, não é extremamente intensa, mas costuma ser persistente e recorrente.

Entre as causas mais comuns estão:

  • hérnia de disco
  • má postura
  • sobrecarga de peso
  • artrose

Hérnia de disco

A hérnia de disco ocorre quando há compressão ou deslocamento do disco intervertebral. Como consequência, o paciente pode sentir dor contínua, formigamento e limitação de movimentos.

Espondilolistese

Na espondilolistese, uma vértebra desliza sobre a outra, provocando dor lombar persistente. Essa condição pode ter origem congênita ou estar associada a traumas e doenças reumáticas.

Dor ciática

A dor ciática começa na região lombar e se irradia pelos quadris, podendo alcançar as pernas e os pés. Isso ocorre porque o nervo ciático percorre grande parte do corpo.

Além da dor, são comuns sintomas como:

  • formigamento
  • queimação
  • perda de sensibilidade
  • fraqueza muscular

Dor cervical

A dor cervical, ou cervicalgia, afeta a região do pescoço, nuca e ombros. Frequentemente, está relacionada à má postura, tensão muscular e uso prolongado de dispositivos eletrônicos.

Além disso, pode causar:

  • dor de cabeça
  • rigidez
  • estalos ao movimentar o pescoço
  • sensação de peso nos ombros

Dor crônica no joelho

O joelho é a maior articulação do corpo e suporta grande parte do peso diariamente. Por isso, está mais sujeito a desgaste e lesões.

A dor crônica no joelho pode estar associada a:

  • artrose
  • artrite
  • bursite
  • tendinite
  • lesões por sobrecarga

Quando não tratada, essa dor pode comprometer a mobilidade e a independência do paciente.

Conclusão: dor crônica não deve ser ignorada

A dor crônica vai muito além de um simples desconforto. Ela pode limitar movimentos, afetar o emocional e reduzir significativamente a qualidade de vida.

Por isso, se você convive com dor há mais de três meses, não consegue identificar a causa ou percebe impacto direto na sua rotina, buscar avaliação médica é fundamental. Com diagnóstico adequado e acompanhamento especializado, é possível encontrar caminhos seguros para aliviar a dor e recuperar o bem-estar.

Artigo revisado por:

Dr. Henrique Bella Freire de Carvalho  – Ortopedista e Traumatologista

CRM-SP 128927 | RQE 83949

 

Dr. Henrique Bella é médico especializado em Ortopedia e Traumatologia, com formação pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) — Escola Paulista de Medicina. Além de sua atuação em ortopedia geral, possui especialização em Cirurgia do Joelho e capacitação em Medicina da Dor Crônica e Aguda, o que lhe confere suporte técnico para abordar tanto lesões músculo-esqueléticas quanto condições de dor persistente que impactam a qualidade de vida.

Membro titular de sociedades reconhecidas da especialidade, como a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ), refletindo seu compromisso contínuo com o desenvolvimento clínico e científico.